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O Brasil Clássico encontrado nas igrejas

Apesar de ter grandes compositores na história, os elementos eruditos muitas vezes são encontrados apenas nas igrejas.
Componentes da Orquestra Asafe ensaiam todas as manhã de domingo na Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Taubaté Templo Sede

A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos”, já dizia Ludwig van Beethoven. Para muitos a música tem o poder de animar, de colocar para fora o que sentimos, e mexer com as nossas emoções, seja por meio das mais simples até as mais complexas melodias. A música também pode ser uma grande ajuda para algumas pessoas que enfrentam períodos de dificuldade. Como foi para Beethoven, que após descobrir que estava ficando surdo por decorrência de uma doença degenerativa, contou em uma carta para os seus irmãos que pensou em cometer suicídio, porém a música o ajudou a superar esse momento. Além disso, as notas músicas estão presentes durante todo o nosso dia, desde o toque do despertador pela manhã até irmos dormir, em momentos de lazer e em reuniões religiosas.


Apesar de tudo isso, os profissionais que vivem da música, principalmente da música clássica, ainda encontram muitas dificuldades em encontrar lugares para aprender a tocar algum instrumento, por motivos que ainda existem várias cidades que não apresentam escolas que possam atender além da população local, mas também de cidades da região, como era a Escola Municipal de Artes Maestro Fêgo Camargo, localizada no centro de Taubaté no Vale do Paraíba, mas que na década de 2010 passou a atender apenas moradores da própria cidade.


“Na minha cidade não tinha, e ainda não tem escola de música”. Conta Eduardo Barros, professor de piano, pianista profissional e arranjador do Musical 20 Anos Diante do Trono, que pela falta de escola em sua cidade natal, só pode estudar na adolescência, pois teria que ir para outra localidade.


Outro exemplo de barreira para se viver de música no Brasil é a falta de incentivo público as instituições musicais. “Acho bem problemático, degradante”. Opina a professora de música e pianista Maria Aparecida Bronzato. Ela relembrou o que essa falta de preocupação dos governantes pode fazer o citar o ocorrido com a Orquestra Sinfônica de São José dos Campos, que em janeiro de 2017 encerrou as suas atividades por causa que a verba destinada para a manter a organização seria mais repassada, o que na época causou espanto para todos os funcionários e apreciadores da música que era tocada pelos músicos.


Mas apesar dessas dificuldades ainda temos bons exemplos de encorajamento para as crianças aprenderem algum instrumento musical. E isso ocorre muitas vezes dentro das igrejas, principalmente das evangélicas. “No meu caso, eu não tinha muito interesse, mas meu pai me incentivou quando tinha mais ou menos sete anos de idade”. Conte Rodrigo de Oliveira violinista profissional, músico de seção da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, que aprendeu música com seus pais quando criança. Ele lembrou que começou a estudar a parte prática instrumental com o seu pai Wanderly, que desde os anos da década de 90, é o coordenador e maestro da Orquestra Tangedora de Cristo da Assembleia de Deus Ministério de Taubaté no bairro Jardim América em Taubaté. E a parte teórica foi a sua mãe Bernadete, que também é musicista na orquestra, que o ensinou. E depois com nove anos de idade ele foi estudar violino na “Escola Municipal de Artes Maestro Fêgo Camargo”, onde se destacou como violinista e que em 2011 participou do documentário “Prova de Artista”, de José Joffily, que narra à trajetória de cinco jovens músicos antes de audições em grandes orquestras pelo Brasil.


Muitos outros profissionais pelo país a fora também surgiram primeiramente em suas igrejas locais, seja tocando cantando em corais, ou instrumentos de cordas, como é tradição das igrejas da “Congregação Cristã no Brasil”, com violinos, violas, violoncelos, contrabaixos. E os instrumentos de sopro, como os trombones, trompetes, saxofones alto, tenor, trompa, tuba, são costumes nas orquestras, bandas das Assembleias. Um exemplo são as congregações da Assembleia de Deus Ministério de Taubaté, que estão espalhadas por toda a cidade e por outras cidades do Vale do Paraíba e Sul de Minas, que tem orquestras que apresentam apenas instrumentos de sopro, no caso das congregações dos bairros da Água Quente, Areão, Parque Aeroporto, Chácara Silvestre. Mas há igrejas do ministério, como a do Jardim América, a da Sede, a do Parque Três Marias I que além dos sopros, possuem violino e violas. “É muito bonito”. Opinou Gabriel Junior, maestro da Orquestra Asafe do Templo Sede Da Assembleia de Deus Ministério Taubaté, sobre a presença dos instrumentos eruditos no meio musical das igrejas, mas ele ressaltou que a igreja deveria dar mais suporte ao departamento musical.


Um bom exemplo de apoio nas igrejas foi o que ocorreu há 21 anos com a banda Diante do Trono, em que ajudou comprando tickets de pré-venda do CD que iria ser gravado, assim depositando confiança no trabalho musical que seria realizado, como já contou a líder do grupo em diversas apresentações. E isso mostra que com cuidado, atenção, investimento e dedicação projetos musicais podem sobreviver tanto nas igrejas, quanto fora delas em espaços culturais.

 
 
 

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