Município paulista revive memórias em seus museus
- Samuel Martimiano

- 30 de nov. de 2018
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Taubaté que está localizada no eixo Rio-São Paulo, é um município que respira história no decorrer de suas ruas e avenidas, e isso se vale porque no passado ela foi uma região importante no ciclo do ouro, o qual era daqui que os bandeirantes saíam para o desbravamento das terras das minas gerais em busca de ouro. Mas além das ruas que concentram vários prédios, casarões dessa época, a cidade também possui uma grande variedade de monumentos, museus espalhados por toda localidade.
Um dos lugares históricos de Taubaté é o Sítio do Pica-Pau Amarelo, que foi criado no dia quatro de novembro de 1958, e tem uma área de 20.000 m², como informa o site da prefeitura de Taubaté, e está localizado na Chácara do Visconde na Avenida Monteiro Lobato, próximo a Rodoviária Velha, a estação ferroviária da “Estrada de Ferro Central do Brasil”, também das antigas instalações da “Companhia Fabril de Juta Taubaté”, o sítio fica no mesmo casarão onde o escritor Monteiro Lobato nasceu e viveu até os seus doze anos de idade, e que pertencia ao seu avô o Barão de Tremembé, a localidade foi imortalizada nas obras infantis de Lobato, o qual foi palco das aventuras da turma dos livros do Sítio do Pica-Pau Amarelo, que foram escritas entre os anos de 1920 e 1947.
Além do espaço para o divertimento em família, o local abriga também o Museu Histórico, Folclórico e Pedagógico Monteiro Lobato, que mantém a história viva com o acervo “José Bento Monteiro Lobato”, contendo móveis do início do século XX e final do século XIX, como máquina de costura, guarda-chuvas, utensílios de cozinha, armários, baú, edições antigas dos livros do escritor. Existe também uma biblioteca com exemplares de alguns livros do Monteiro, e de outros autores.
Não só a população de Taubaté, como de outras cidades do Vale do Paraíba e região visitam o parque e o museu no decorrer da semana, durante o horário de funcionamento, das 9h até as 17h de terça-feira a domingo, e além de famílias ele recebe várias excursões, principalmente de alunos de escolas de ensino fundamental, como no dia sete de outubro uma escola de Jacareí levou os alunos para conhecer o museu, o parque e a história do escritor. Durante o passeio as crianças puderam assistir as personagens Emília e Narizinho contarem um pouco sobre Monteiro Lobato, e da época que o escritor viveu. “Visitando, tendo contato com alguns personagens, vendo algumas coisas antigas, isso é muito bom pra eles porque resgata”, comentou a professora da rede estadual em Jacareí Silvia Kelen de Oliveira sobre a importância dos alunos visitarem o lugar. Depois eles conheceram como era uma cozinha típica caipira do século passado da região, os equipamentos que eles utilizavam na produção dos alimentos, tiraram foto do lado externo do casarão e logo após assistiram um teatro com os personagens do sítio.
Outro espaço que contribui para a história do município é o Museu Mazzaropi, que foi inaugurado no ano de 1992, porém ele era restrito aos hóspedes do Hotel Fazenda Mazzaropi, só que a partir de 2010 ele foi aberto para o público geral, e fica no mesmo local onde eram os estúdios da PAM Filmes – Produções Amácio Mazzaropi na estrada municipal de mesmo nome do artista brasileiro, no bairro Itaim, próximo a Base de Aviação de Taubaté. O local recebe visitas de moradores da cidade, como também da região, e de todas as partes do país, principalmente por causa da cidade de Aparecida, explicou a assistente cultural do museu Renata Sparapan. O lugar proporciona aos visitantes um acervo de mais de 20 mil peças, entre fotos do ator e empresário, filmes, documentos, figurinos utilizados nas filmagens dos longas-metragens, móveis, equipamentos cinematográficos originais, como câmera. Existem também réplicas dos cenários das produções. Encontra-se ainda uma parede que contém pequenos textos que contam a história da vida dele, a sua trajetória nas telonas brasileiras. Todos os seus filmes foram produzidos aqui na região do Vale do Paraíba, como “Mazzaropi em O Grande Xerife”, e por isso podemos ver moradores dos bairros próximos aos estúdios aparecendo como figurantes. Como Marino Vitor, aposentado, fala que os seus pais apareceram em algumas cenas.
Outro local muito importante do município é o Museu de Arte Sacra, que no ano que vem completa dez anos de sua inauguração no dia quatro de dezembro, e está situado no centro cidade, próximo ao Santuário Diocesano de Santa Terezinha, que tem um conjunto de obras religiosas, vindas não só de Taubaté, mas também de São Luiz do Paraitinga e Redenção da Serra, como esculturas, pinturas de santos da Igreja Católica, instrumentos musicais, partituras, como informa o portal Guia de Taubaté. O acervo que está exposto nele, antes era da Capela do Pilar, a igreja mais velha da cidade, no entanto se encontra fechada por causa do abandono do prédio, que causaram danos a estrutura. Ainda no local eles oferecem um livreto sobre “Trilha Cultural – Museus de Taubaté”, com resumos dos museus da cidade, informando os horários de funcionamento, e valores das entradas.
Os museus contribuem para a formação da educação de todos os seres humanos, ajudando a compreender os processos políticos, religiosos, entre outros que as sociedades de todo o mundo passaram ao longo do tempo, no entanto no Brasil vem ocorrendo um desinteresse pelos museus, pela História. “A maioria da população não se interessa porque não foi educada para reconhecer a importância de sua história”, afirmou Shirley Franceliano, professora de história da rede municipal de Taubaté.




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